3.5. Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências

Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências

  • sex 29.mai - 21:00 RESERVA CULTURAL • Avenida Paulista, 900 - Bela Vista - ver no mapa

O colonialismo não é um capítulo encerrado da história, mas uma engrenagem que segue operando em pleno funcionamento. Ele se atualiza na mineração que avança sobre terras indígenas, na expropriação de territórios ancestrais, na criminalização sistemática de lideranças que lutam pelos direitos de seus povos e na produção contínua de narrativas que apagam ou distorcem cosmovisões originárias. Cada uma dessas violências carrega a assinatura de um mesmo processo histórico que nunca cessou, apenas se adaptou. Como afirmar possibilidades de futuro quando os territórios físico, simbólico e narrativo dos povos originários estão sob ataque permanente?

No debate Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de Saques e Violências, que será realizado no dia 29 de maio, sexta-feira, às 21h, no Reserva Cultural, em São Paulo, vamos refletir sobre a continuidade do colonialismo em suas dimensões materiais e simbólicas, e sobre as estratégias de resistência dos povos originários na América Latina e no Brasil.

O debate será realizado logo após a exibição do documentário Nuestra Tierra (Landmarks, Argentina, EUA, México, França, Dinamarca e Holanda, 2024, 122'), de Lucrecia Martel, na mesma sala às 19h. Em sua primeira incursão no documentário em longa-metragem, a cineasta argentina narra a investigação do assassinato de Javier Chocobar, líder da comunidade Chuschagasta. Em torno desse caso emblemático se desdobra uma história muito maior, secular, de colonialismo, desapropriação e apagamento.

Para essa conversa, reunimos profissionais que articulam diferentes perspectivas sobre a relação entre território, colonialidade e resistência cultural.

Para mais informações, acompanhe a programação da Mostra Ecofalante no nosso site, e nas redes sociais (@mostraecofalante).
Cristina Llumipanta

Cineasta, videomaker e arte-educadora andina do Equador, residente no Brasil desde 2015. Integra o coletivo artístico-político Cholitas da Babilônia e o coletivo audiovisual periférico Quitus. Atuou como artista orientadora no Programa Vocacional e como mediadora da 35a Bienal de São Paulo. Trabalhou em filmes contemplados por editais como Programa VAI, Lei Aldir Blanc, PROAC e SESC. Sua prática artística articula ancestralidade, migração, periferia e contracolonialidade. Atualmente dirige o documentário Sapikuna (“raízes”, em kichwa), sobre famílias andinas em São Paulo, e integra a articulação do Cineclube Spcine 4.0.

Majoí Favero Gongora

É mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado na mesma instituição e no Laboratoire d’Anthropologie Sociale (LAS, França). É pesquisadora associada do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Coordenou o projeto “Aaseesewaadi: documentação de cantos do povo Ye’kwana” (2017-2026) no âmbito do Programa de Documentação de Culturas Indígenas do Museu Nacional dos Povos Indígenas (Funai/UNESCO), além de outros projetos colaborativos com povos indígenas. Atua também como editora de publicações na área – como Território Ye’kwana: a vida em Auaris (2017) e Cercos e resistências: povos indígenas isolados na Amazônia brasileira (2019) – e curadora de iniciativas de difusão das culturas originárias. Foi coordenadora de pesquisa e assistente de curadoria da exposição Nhe’ẽ Porã: memória e transformação (2022-2023), do Museu da Língua Portuguesa e curadoria de Daiara Tukano.

Paulo Henrique Martinez

Professor na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, programa de Pós- Graduação em História (Assis-Franca) e Ciências Sociais (Marília), pesquisador do CNPq (Produtividade em Pesquisa/2). Desenvolve atividades de ensino, pesquisa, extensão universitária e ação cultural nas áreas de história ambiental, patrimônio e museus, história política e historiografia brasileira. Autor de Museologia: cultura, técnica, trabalho (no prelo), A vida e o mundo: meio ambiente, patrimônio e museus (2020), A dinâmica de um pensamento crítico: Caio Prado Júnior (2008), História Ambiental no Brasil: pesquisa e ensino (2006) e organizador de História ambiental paulista (2007) e de Florestan ou o sentido das coisas (1998).

Jamille Anahata (Mediação)

É comunicóloga, poeta do povo Mura e pesquisadora natural de Manaus (AM). Integra a Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), além de co-administradora da página Leia Mulheres Indígenas e co-produtora do sarau uruKum.